No gosto do ronco que rosna
No busto disposto na Bósnia
Imposto no bronco da esbórnia
Que rosna no tronco do rosto.
Desgosto que aposto não tarda
Retarda o aposto que chega
No torno do gesto que atesta
O feno do fauno faminto...
Na fresta da fossa que sinto
Eu minto do abismo de mim
Eu largo essa posta malfeita
Afogo outro afago chinfrim.
De bobo no lago maldito
Um grito de apego em latim
Suspiro em apuro eu convoco
O forno do adorno sem fim
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Sal dá Saudade
Há muito não sei o que é ter saudade
Não muito, talvez, já não sei se me invade
Essa coisa esquisita meio paralisante
Que faz tudo ao redor ser tão entediante
Mas há muito não sei o que é de verdade
O quase voluntário adeus à liberdade
Imprudente e tenaz, delicada bacante
Essa coisa cruel, purgatório de Dante
Não sei do teu rosto, mas sinto teu cheiro
Que vem forte e impregna o mundo inteiro
E já ouso dizer que é saudade, nêga
Talvez seja mesmo, quem sabe é um sinal?
Jamais foi carência, ou carícia afinal
Só sei que só passa quando você chega.
Não muito, talvez, já não sei se me invade
Essa coisa esquisita meio paralisante
Que faz tudo ao redor ser tão entediante
Mas há muito não sei o que é de verdade
O quase voluntário adeus à liberdade
Imprudente e tenaz, delicada bacante
Essa coisa cruel, purgatório de Dante
Não sei do teu rosto, mas sinto teu cheiro
Que vem forte e impregna o mundo inteiro
E já ouso dizer que é saudade, nêga
Talvez seja mesmo, quem sabe é um sinal?
Jamais foi carência, ou carícia afinal
Só sei que só passa quando você chega.
Soneto da Moda
Se a cada desastre tornássemos mortos
Festivo velório protagonizaria
Cercado de amigos, encharcados, tortos
Sorrindo ao caixão, em negra boemia
Mas novos desastres esperam à frente
Morrer é tão nobre e cheio de apatia
Que vive-se ainda neste verão quente
Prenhe de paixão, solidão e agonia
No olho dos outros, censura e prudência
Pueris, secos, sós, de escrota incoerência
Que basta, acomoda e faz desastroso
Aquilo que é sal, que é calor e pulsão...
Do salto do abismo ao duro do chão
Até o cemitério tem que ser charmoso.
Festivo velório protagonizaria
Cercado de amigos, encharcados, tortos
Sorrindo ao caixão, em negra boemia
Mas novos desastres esperam à frente
Morrer é tão nobre e cheio de apatia
Que vive-se ainda neste verão quente
Prenhe de paixão, solidão e agonia
No olho dos outros, censura e prudência
Pueris, secos, sós, de escrota incoerência
Que basta, acomoda e faz desastroso
Aquilo que é sal, que é calor e pulsão...
Do salto do abismo ao duro do chão
Até o cemitério tem que ser charmoso.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Quente
Se mente,
A gente
não
planta a
semente.
Se sente
e sinta a
torrente
não raro
à mente
de trás para
a frente.
Acidentalmente
Inclemente...
Aldente
Ar, dente, mente
indecente.
A gente
não
planta a
semente.
Se sente
e sinta a
torrente
não raro
à mente
de trás para
a frente.
Acidentalmente
Inclemente...
Aldente
Ar, dente, mente
indecente.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Poeira
Aprendera aquilo em algum livro cujo título não se lembrava e fez-se o hábito. A cada fracasso amoroso espalhava o pó sobre o espelho e escrevia o nome da falecida. Martha, Rúbia, Simone, Aline... Cheirava-as furiosamente e rumava pra qualquer puteiro em busca daqueles nomes que lhe anestesiavam as ventas.
Dessa vez exagerou. Verônica, com circunflexo e tudo, lhe deu dor de barriga e algum suor frio. No meio do caminho, entrou em qualquer restaurante e desembarcou no banheiro feminino. O seu estava ocupado. Aliviou-se ruidosamente agredindo a clientela...
Pediu uma puta com o nome da vez. O cliente sempre tem razão. Com algum sacrifício, esporrou sua saudade e sua dor. Saiu de lá leve e, antes de ir embora cheirou o "p" deixando o "a" e o "z" pra Verônica, tudo em minúsculas.
Dessa vez exagerou. Verônica, com circunflexo e tudo, lhe deu dor de barriga e algum suor frio. No meio do caminho, entrou em qualquer restaurante e desembarcou no banheiro feminino. O seu estava ocupado. Aliviou-se ruidosamente agredindo a clientela...
Pediu uma puta com o nome da vez. O cliente sempre tem razão. Com algum sacrifício, esporrou sua saudade e sua dor. Saiu de lá leve e, antes de ir embora cheirou o "p" deixando o "a" e o "z" pra Verônica, tudo em minúsculas.
Urbano
Meteu mais duas pedras de gelo no copo vazio, derrubou o resto que ainda havia na garrafa, espremeu um limão e misturou com o dedo. Entre uma bicada e outra sentiu saudades do tempo em que reclamavam de dores de cabeça, de dente e desvios de septo e de conduta. Biópsias, tumores, infartos e velórios agora eram assuntos comuns.
Olhou pra baixo, acendeu um cigarro e tossiu. Doeram os pulmões e escarrou grosso. Bebeu ainda um último gole. Deixou a mesa e foi urinar. Ao voltar, pôs uma nota na mesa e não se sentou. Sorriu amarelo quando todos chamaram-no fraco. Já não estavam brincando, mas não eram cruéis como as crianças. Eram fatais em cumplicidade como só os velhos sabem ser. Acenou com as costas da mão esquerda enquanto ajustava os dedos no chinelo.
Ao se deitar, pousou os óculos no criado e desejou um infarto. Rápido e infalível... Socou-lhe o sol no dia seguinte e, acendendo seu café da manhã, agradeceu a qualquer Deus por mais um dia.
Olhou pra baixo, acendeu um cigarro e tossiu. Doeram os pulmões e escarrou grosso. Bebeu ainda um último gole. Deixou a mesa e foi urinar. Ao voltar, pôs uma nota na mesa e não se sentou. Sorriu amarelo quando todos chamaram-no fraco. Já não estavam brincando, mas não eram cruéis como as crianças. Eram fatais em cumplicidade como só os velhos sabem ser. Acenou com as costas da mão esquerda enquanto ajustava os dedos no chinelo.
Ao se deitar, pousou os óculos no criado e desejou um infarto. Rápido e infalível... Socou-lhe o sol no dia seguinte e, acendendo seu café da manhã, agradeceu a qualquer Deus por mais um dia.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Idealização da Humanidade Futura*
*Augusto dos Anjos
Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
- Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!
Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!
Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...
E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!
Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
- Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!
Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!
Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...
E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!
sábado, 27 de novembro de 2010
Incógnita
Forte acaso, rijo e profundo,
Responsável por tudo o que há no mundo,
Diga a verdade, qual é o teu nome?
Além de fogo, suor e beijos
Dessa cegueira, mãe dos desejos
Quem é você que me consome?
Quem é você, sorte daninha
Dos sofredores, tão comezinha
Mata-me a sede, mata-me a fome
Diga a verdade, qual é o teu nome?
Fruto isolado de data vadia,
Ar que congela na noite mais fria,
Qual é teu nome, vã vaidade?
Qual é teu nome, diga a verdade!
(...)
Não é saudade ou alegoria
Fosses virtude, eu corromperia
Diga a verdade, luz desse dia,
Diga seu nome, doce agonia!
Responsável por tudo o que há no mundo,
Diga a verdade, qual é o teu nome?
Além de fogo, suor e beijos
Dessa cegueira, mãe dos desejos
Quem é você que me consome?
Quem é você, sorte daninha
Dos sofredores, tão comezinha
Mata-me a sede, mata-me a fome
Diga a verdade, qual é o teu nome?
Fruto isolado de data vadia,
Ar que congela na noite mais fria,
Qual é teu nome, vã vaidade?
Qual é teu nome, diga a verdade!
(...)
Não é saudade ou alegoria
Fosses virtude, eu corromperia
Diga a verdade, luz desse dia,
Diga seu nome, doce agonia!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Não Me Deixe Só (Mundo Bizarro Version)
Please, me deixe só
Não tenho medo do escuro
E também não sou inseguro
Se há fantasmas são meus avós!
Ah! Me deixe só
Tenho desejos melhores
Do que esses beijos abomináveis
Cujos desígnios já sei de cor
Vai, me deixe só
O meu destino, é meu faro
E é tão preciso e tão raro
Que até prescinde do amor
Vá, vá... eu gostei de ter você
Mas saiba você também
Que eu não quero mais ninguém
Vai, me deixe só
Pode até ser besteira
Sei que vou ter que fazer a feira
Mas quero paz e apenas paz.
Não tenho medo do escuro
E também não sou inseguro
Se há fantasmas são meus avós!
Ah! Me deixe só
Tenho desejos melhores
Do que esses beijos abomináveis
Cujos desígnios já sei de cor
Vai, me deixe só
O meu destino, é meu faro
E é tão preciso e tão raro
Que até prescinde do amor
Vá, vá... eu gostei de ter você
Mas saiba você também
Que eu não quero mais ninguém
Vai, me deixe só
Pode até ser besteira
Sei que vou ter que fazer a feira
Mas quero paz e apenas paz.
domingo, 14 de novembro de 2010
Poema Rodrigueano
Vivia às turras, mas consigo mesmo
Alimentava as suas paranoias
Dando de tudo a ela carros, joias
Mas nada dava certo. Sempre a esmo
Ela jamais cedia, jamais se entregava
E ele sabia que havia alguém,
Um outro esperto a pastar também
No mesmo pasto em que ele pastava
E via em si um bobo fracassado
Seu ideal de amor esfarrapado...
Que em ódio força sua alma à luta
Mas só o ódio pra fazer aquilo
Pra num rompante cego e intranquilo
Matar a tiros a filha da puta...
Alimentava as suas paranoias
Dando de tudo a ela carros, joias
Mas nada dava certo. Sempre a esmo
Ela jamais cedia, jamais se entregava
E ele sabia que havia alguém,
Um outro esperto a pastar também
No mesmo pasto em que ele pastava
E via em si um bobo fracassado
Seu ideal de amor esfarrapado...
Que em ódio força sua alma à luta
Mas só o ódio pra fazer aquilo
Pra num rompante cego e intranquilo
Matar a tiros a filha da puta...
Felicidade
Queres no peito delas
Ver suas aquarelas?
Vais perdoar, a queres de verdade?
Se não, mais vale tua liberdade.
Se sim, permita-me ser franco
O peito em paz das moças, eu te digo
Só nos concede um quadro em preto e branco
Nada além disso, frio e não abrigo
É na paz delas que tens de mexer
Seu lago calmo e quieto revolver
Num gesto bravo de autoimolação
Eu sei que é duro, nem mesmo eu consigo
Mas a felicidade, meu amigo
Mora no peito seu, no delas não...
Ver suas aquarelas?
Vais perdoar, a queres de verdade?
Se não, mais vale tua liberdade.
Se sim, permita-me ser franco
O peito em paz das moças, eu te digo
Só nos concede um quadro em preto e branco
Nada além disso, frio e não abrigo
É na paz delas que tens de mexer
Seu lago calmo e quieto revolver
Num gesto bravo de autoimolação
Eu sei que é duro, nem mesmo eu consigo
Mas a felicidade, meu amigo
Mora no peito seu, no delas não...
Adventista Alcoólatra
Isso! Por isso caímos
Por isso bebemos:
Pra nos iludir!
Damos com a cara
No muro, na porta
Fechada, no chão e daí?
Não vem com essa
"Meu filho" que isso e aquilo
E não sei o que lá...
Para com essa conversa
Esse missa, esse papo
Esse blá blá blá blá!
Deixa-me cá no meu canto
Essa culpa, esse pranto
A me infernizar
Toda essa vã esperança
Que "um dia melhora"
Peraí, o que é que há!
Não vê? É tudo balela
Sem choro e nem vela
O mundo, rapá
Vai te cuspir com vontade
Sem dó nem piedade
Só pra te mostrar
Que estamos todos errados
Gerados fadados
A estarmos fodidos
Ladear com bandidos
Os tempos que, idos
Não tardam voltar
Pois não se iluda, "meu filho"
Se o seu supercílio
Começa a sangrar
Toma porrada na cara
Da vida, da sorte
Na mesa do bar
Bebe enquanto não morre
Toma mais um porre
E vai te estragar
Penares e desencantos
Dentre muitos tantos
Que vêm acossar
Ao longo da nossa vida
Então na bebida
Vamos encontrar
Uma paz que nos redime
Nos pune e nos benze
A nos embriagar...
Vou-me, mas deixo aos discretos
Diletos insetos
Que teimo em pisar
Crentes, meu último escárnio
Que com nada rima
Mas muito me apraz
Plagiar por fim
Que "não vai haver
Amor nesse mundo nunca mais."
Por isso bebemos:
Pra nos iludir!
Damos com a cara
No muro, na porta
Fechada, no chão e daí?
Não vem com essa
"Meu filho" que isso e aquilo
E não sei o que lá...
Para com essa conversa
Esse missa, esse papo
Esse blá blá blá blá!
Deixa-me cá no meu canto
Essa culpa, esse pranto
A me infernizar
Toda essa vã esperança
Que "um dia melhora"
Peraí, o que é que há!
Não vê? É tudo balela
Sem choro e nem vela
O mundo, rapá
Vai te cuspir com vontade
Sem dó nem piedade
Só pra te mostrar
Que estamos todos errados
Gerados fadados
A estarmos fodidos
Ladear com bandidos
Os tempos que, idos
Não tardam voltar
Pois não se iluda, "meu filho"
Se o seu supercílio
Começa a sangrar
Toma porrada na cara
Da vida, da sorte
Na mesa do bar
Bebe enquanto não morre
Toma mais um porre
E vai te estragar
Penares e desencantos
Dentre muitos tantos
Que vêm acossar
Ao longo da nossa vida
Então na bebida
Vamos encontrar
Uma paz que nos redime
Nos pune e nos benze
A nos embriagar...
Vou-me, mas deixo aos discretos
Diletos insetos
Que teimo em pisar
Crentes, meu último escárnio
Que com nada rima
Mas muito me apraz
Plagiar por fim
Que "não vai haver
Amor nesse mundo nunca mais."
Divina Verdade (Tenaz)
A areia da praia virou vidro moído
O troféu de outrora hoje jaz derretido
E o "Deus do Olimpo" descansa combalido
Da verdade que disse-me ao pé do ouvido
Hoje, mais do que nunca, entendo
Que a verdade da qual dependemos
É fruto podre de acaso estupendo
E, sem mais nem porque nós vivemos...
Com as náuseas comuns a ladrões baleados
Solidários quedando qual os encarcerados
Os malditos a quem nós chamamos bandido
Das mentiras totais não há mais estampido
É que o peito teimoso, que nasceu já traído
Da divina verdade ainda exclama: "Eu duvido!"
O troféu de outrora hoje jaz derretido
E o "Deus do Olimpo" descansa combalido
Da verdade que disse-me ao pé do ouvido
Hoje, mais do que nunca, entendo
Que a verdade da qual dependemos
É fruto podre de acaso estupendo
E, sem mais nem porque nós vivemos...
Com as náuseas comuns a ladrões baleados
Solidários quedando qual os encarcerados
Os malditos a quem nós chamamos bandido
Das mentiras totais não há mais estampido
É que o peito teimoso, que nasceu já traído
Da divina verdade ainda exclama: "Eu duvido!"
Versos Moribundos
Estão todos lá, amontoados em estantes
Dispersos, calados, carentes de cuidados
Ao toque de quem os lê fazem vibrantes
Os nervos de quem os tem a si grudados
Como as preces de cal postas no asfalto
O desespero de quem arde enquadra
O versar frouxo a esperançar resguarda
O corpo e a alma em patamar mais alto
E mais me venham versos em refil
Bem mais adequados ao perfil
Do nobre gesto em líricas molduras...
E ponho os braços que Deus fez sadios
Em desalinho pêlos, uivos, arrepios
No ofício árduo das palavras-esculturas.
Dispersos, calados, carentes de cuidados
Ao toque de quem os lê fazem vibrantes
Os nervos de quem os tem a si grudados
Como as preces de cal postas no asfalto
O desespero de quem arde enquadra
O versar frouxo a esperançar resguarda
O corpo e a alma em patamar mais alto
E mais me venham versos em refil
Bem mais adequados ao perfil
Do nobre gesto em líricas molduras...
E ponho os braços que Deus fez sadios
Em desalinho pêlos, uivos, arrepios
No ofício árduo das palavras-esculturas.
A Cafetina
Enquanto a todos os meus
Apelos você recua
Segue a entregar-te aos teus
Pobre mulher promíscua
O melhor de mim que já rui
Se esvai a cada vez que confio
O sangue que em meu corpo flui
Secando-me o olho arredio
O passado já não é tormento
Meus projetos rejeitados
Preferiste a cem por cento
Meia dúzia de gatos pingados
Lamento seu gozo de agora
Sentimentos a mim enfermos
Homens mandando-te embora
Depois do coito em locais ermos
Mas é o que nasceu contigo
Outrora já não resistias
Àquele tesão antigo
Trocando as noites pelos dias
É justamente essa boa lembrança
Que guardo do amanhecer
No seu quarto de criança
Após noites de prazer...
Hoje os dias mais chuvosos
Antes tão lacrimejantes
Já não são tão tormentosos
Como costumavam ser antes
É que dediquei meu tempo
E me dediquei daqui
Um tempo que passou lento
Sonolento que nem vivi
Se agora, traquina, rio
Desse meu tenso passado
O arrepio da dor, do frio
Ser seu nobre namorado
Meus joelhos junto ao milho
Eu prefiro ao que fiz
Não recalcitro e num trocadilho
Defino-te: mera atriz!
A quem é que enganas?
Se entregaste à tua labuta
Vive as paixões ciganas
No nomadismo da prostituta
Nos lupanares do interior
É o seu dos mais bacanas
Promoção: grátis licor
Pra quem levar duas mundanas!
À vontade nos sombrios quartos
Realiza-se às escondidas
Protagonizando enfartos
Vivendo mulher da vida...
Contra a própria sorte relutas
Ora é domada, ora domina
Ambicionando mandar nas putas
Sagrar-se, enfim, a cafetina!
Apelos você recua
Segue a entregar-te aos teus
Pobre mulher promíscua
O melhor de mim que já rui
Se esvai a cada vez que confio
O sangue que em meu corpo flui
Secando-me o olho arredio
O passado já não é tormento
Meus projetos rejeitados
Preferiste a cem por cento
Meia dúzia de gatos pingados
Lamento seu gozo de agora
Sentimentos a mim enfermos
Homens mandando-te embora
Depois do coito em locais ermos
Mas é o que nasceu contigo
Outrora já não resistias
Àquele tesão antigo
Trocando as noites pelos dias
É justamente essa boa lembrança
Que guardo do amanhecer
No seu quarto de criança
Após noites de prazer...
Hoje os dias mais chuvosos
Antes tão lacrimejantes
Já não são tão tormentosos
Como costumavam ser antes
É que dediquei meu tempo
E me dediquei daqui
Um tempo que passou lento
Sonolento que nem vivi
Se agora, traquina, rio
Desse meu tenso passado
O arrepio da dor, do frio
Ser seu nobre namorado
Meus joelhos junto ao milho
Eu prefiro ao que fiz
Não recalcitro e num trocadilho
Defino-te: mera atriz!
A quem é que enganas?
Se entregaste à tua labuta
Vive as paixões ciganas
No nomadismo da prostituta
Nos lupanares do interior
É o seu dos mais bacanas
Promoção: grátis licor
Pra quem levar duas mundanas!
À vontade nos sombrios quartos
Realiza-se às escondidas
Protagonizando enfartos
Vivendo mulher da vida...
Contra a própria sorte relutas
Ora é domada, ora domina
Ambicionando mandar nas putas
Sagrar-se, enfim, a cafetina!
Viagem
Na rodoviária cheia
Filo a despedida alheia
Como se filam cigarros
E beijos vésperas de escarros
Rumo ao desconhecido
Destino incerto, mas prometido
Há cheiro de bosta na estrada
Adentra a janela e me agrada
Evito me inflar corajoso
No lento escoar dessa via
E deixo, poeta leproso
No asfalto porções de euforia...
Por fim, na ilusão da chegada
Filo o olá da parentada
Que não é minha para, enfim, só
Cuspir o catarro pungente ao gogó...
Filo a despedida alheia
Como se filam cigarros
E beijos vésperas de escarros
Rumo ao desconhecido
Destino incerto, mas prometido
Há cheiro de bosta na estrada
Adentra a janela e me agrada
Evito me inflar corajoso
No lento escoar dessa via
E deixo, poeta leproso
No asfalto porções de euforia...
Por fim, na ilusão da chegada
Filo o olá da parentada
Que não é minha para, enfim, só
Cuspir o catarro pungente ao gogó...
Miserável Luxúria
É noite. Despertos, fazendo fagulha
Há corpos em vil tempestade
Vacilam à luz da patrulha
Que espreita frouxa a cidade...
A chuva já encharca o chão
Fazendo da cama melhor
Mais lama em luxúria e tesão,
Do que era só fome e suor
Mendigos em vulta euforia
Apertam-se unindo seus corpos
Em fluidos infectos, tortos...
É dia. Torrente foi embora
Exautos, molhados de outrora
Ofegam os três quase mortos.
Há corpos em vil tempestade
Vacilam à luz da patrulha
Que espreita frouxa a cidade...
A chuva já encharca o chão
Fazendo da cama melhor
Mais lama em luxúria e tesão,
Do que era só fome e suor
Mendigos em vulta euforia
Apertam-se unindo seus corpos
Em fluidos infectos, tortos...
É dia. Torrente foi embora
Exautos, molhados de outrora
Ofegam os três quase mortos.
Anjo Sem Céu
Lá no alto, no céu ordinário
Está um anjo triste, caído e otário
Sobre a nuvenzinha clichê e furada
Chorando sozinho a ausência da amada
Olhando pro alto, então se dá conta
Clamar a outros céus, de nada adianta
Com o rosto entre as mãos, amarga desvãos
Está já no cume da desesperança
Faltando outro céu que o faça menos triste
Se põe a chorar feito uma criança
Vem a querubinha, se é que isso existe
Abraça-lhe as asas do anjo sem graça
E diz com carinho: relaxa, meu filho
Pois todos lá embaixo dizem que isso passa...
Está um anjo triste, caído e otário
Sobre a nuvenzinha clichê e furada
Chorando sozinho a ausência da amada
Olhando pro alto, então se dá conta
Clamar a outros céus, de nada adianta
Com o rosto entre as mãos, amarga desvãos
Está já no cume da desesperança
Faltando outro céu que o faça menos triste
Se põe a chorar feito uma criança
Vem a querubinha, se é que isso existe
Abraça-lhe as asas do anjo sem graça
E diz com carinho: relaxa, meu filho
Pois todos lá embaixo dizem que isso passa...
Diário de Adolescente
Dedos insensatos
Escrevem diários
Que ao cabo dos fatos
Aos fundos de armários
Se vão destinar
Seus braços delgados
Esforçam-se em versos
Verões retrocessos
Tudo mais que há
Conversas consigo
Calada em segredos
Alheia aos amigos
Esfolam-se os dedos
Sempre a escrever
Rotina e cansaço
Vagina e cabaço
Esperto e otário
No noticiário
De outro diário
Segredo hilário
Que acabo de ler...
Escrevem diários
Que ao cabo dos fatos
Aos fundos de armários
Se vão destinar
Seus braços delgados
Esforçam-se em versos
Verões retrocessos
Tudo mais que há
Conversas consigo
Calada em segredos
Alheia aos amigos
Esfolam-se os dedos
Sempre a escrever
Rotina e cansaço
Vagina e cabaço
Esperto e otário
No noticiário
De outro diário
Segredo hilário
Que acabo de ler...
Versos Surreais ou Debate com o Lirismo
Soro da vida é rua
Do medo é sorte
Da morte é nua
No norte ecoa
Outra ilusão
Muro de cobre é peito
Leito desfeito
Pungente e triste
De dedo em riste
Digo-te mais
Chora que a aurora tarda
No meio amargo
Do teu torpor
Come, sua água é suja
Seu pão, dormido
Que é só bolor
Monta ou então desmonta
Que o dedo aponta
Sem mais dizer
Dorme que já é tarde
Não faz alarde
Do teu querer
Sofre bem desde cedo
Não tenha medo
Do anoitecer
Vai-te, mas deixa paz
Que eu não aguento
Ouvir dizer
Isso e aquilo outro
Que verso escroto
Veio escrever
Some, com rima e tudo
Discreto e mudo
Qual derreter
Todo esse mundo-muro
Buraco escuro
Em que foi meter
Teu bedelho enxerido
Intrometido
A entorpecer...
Chega! (o verso cega)
De cagar regra
Obedecer
Cesso-te num só gesto
Num casto incesto
Num iê iê iê
Indo-me, indo-me torto
Já quase morto
Não fiz crescer
Nada, coisa nenhuma
Em parte alguma
Iê iê iê iê...
Do medo é sorte
Da morte é nua
No norte ecoa
Outra ilusão
Muro de cobre é peito
Leito desfeito
Pungente e triste
De dedo em riste
Digo-te mais
Chora que a aurora tarda
No meio amargo
Do teu torpor
Come, sua água é suja
Seu pão, dormido
Que é só bolor
Monta ou então desmonta
Que o dedo aponta
Sem mais dizer
Dorme que já é tarde
Não faz alarde
Do teu querer
Sofre bem desde cedo
Não tenha medo
Do anoitecer
Vai-te, mas deixa paz
Que eu não aguento
Ouvir dizer
Isso e aquilo outro
Que verso escroto
Veio escrever
Some, com rima e tudo
Discreto e mudo
Qual derreter
Todo esse mundo-muro
Buraco escuro
Em que foi meter
Teu bedelho enxerido
Intrometido
A entorpecer...
Chega! (o verso cega)
De cagar regra
Obedecer
Cesso-te num só gesto
Num casto incesto
Num iê iê iê
Indo-me, indo-me torto
Já quase morto
Não fiz crescer
Nada, coisa nenhuma
Em parte alguma
Iê iê iê iê...
Recalcitrando
Quando me fiz presente
Indiferente
Ela me evitou
Disse que eu era isso
Que eu era aquilo
E me abandonou
É, só que o tempo passa
O tempo voa
E cá estou...
Faço da vida prosa
Da vida verso
Do que passou
Tanto cotidiano
É riso, é pranto
Não é, my brow?
Pois então que assim seja
Dá mais cerveja
É o que restou
Não, não foi sempre assim
Já fui distinto, menos instinto
Mas acabou
Chega dessa decência
Dessa inocência
Desse so so
Quero, oito ou oitenta
Vê se te aguenta
Não reparou?
Que ela me quer de volta
Mas que revolta
Não é que eu vou
Dar com meus burros n´água
Perder a linha
Eu tô que tô
Pois então que assim seja
Dá mais cerveja
Que ela voltou
Indiferente
Ela me evitou
Disse que eu era isso
Que eu era aquilo
E me abandonou
É, só que o tempo passa
O tempo voa
E cá estou...
Faço da vida prosa
Da vida verso
Do que passou
Tanto cotidiano
É riso, é pranto
Não é, my brow?
Pois então que assim seja
Dá mais cerveja
É o que restou
Não, não foi sempre assim
Já fui distinto, menos instinto
Mas acabou
Chega dessa decência
Dessa inocência
Desse so so
Quero, oito ou oitenta
Vê se te aguenta
Não reparou?
Que ela me quer de volta
Mas que revolta
Não é que eu vou
Dar com meus burros n´água
Perder a linha
Eu tô que tô
Pois então que assim seja
Dá mais cerveja
Que ela voltou
Canalhas
Canalha eu
Canalha ela
A canalha no brilho da estrela
O canalha no escuro da vela
Eu canalha
Ela canalha
Na canalhice dele, bandalha
Na canalhice dela, medalha
Canalha ela
Canalha eu
Ela canalha é princesa
Eu canalha, plebeu
Canalha ela
Canalha eu
Eu canalha, favela
Ela canalha, museu
Canalhas eu e ela
Ela canalha é aurora
Eu canalha esparrela
Canalhas ela e eu
Ela canalha é Mandela
Eu canalha Zé Dirceu
Canalha ela
A canalha no brilho da estrela
O canalha no escuro da vela
Eu canalha
Ela canalha
Na canalhice dele, bandalha
Na canalhice dela, medalha
Canalha ela
Canalha eu
Ela canalha é princesa
Eu canalha, plebeu
Canalha ela
Canalha eu
Eu canalha, favela
Ela canalha, museu
Canalhas eu e ela
Ela canalha é aurora
Eu canalha esparrela
Canalhas ela e eu
Ela canalha é Mandela
Eu canalha Zé Dirceu
Ode à Ninfa
Olhos de verdes azuis mistérios
Tudo nela encanta e me domina
Causa ainda espanto e alucina
Dissimulando a paz dos cemitérios
Tende compaixão, tende piedade
Moça que bem junto a mim se inclina
Essa tua beleza que fascina
Quer deixar-me apenas sua saudade...
Ouço ébrio a lira da tua voz
Que ao calar-se traga com fervor
Todos os meus poros quando a sós
Deixe de malícia e, por favor
Crave logo ao peito sofredor
Os beijos crus dessa paixão atroz.
Tudo nela encanta e me domina
Causa ainda espanto e alucina
Dissimulando a paz dos cemitérios
Tende compaixão, tende piedade
Moça que bem junto a mim se inclina
Essa tua beleza que fascina
Quer deixar-me apenas sua saudade...
Ouço ébrio a lira da tua voz
Que ao calar-se traga com fervor
Todos os meus poros quando a sós
Deixe de malícia e, por favor
Crave logo ao peito sofredor
Os beijos crus dessa paixão atroz.
sábado, 13 de novembro de 2010
Flerte Cotidiano
Olho. Ele olha e gosta.
Eu sei, mas é ele que aposta
Cartas na mesa, outra rodada
Aguardando a próxima cartada
Embriagado ele, mas tudo okay
Sim, ele e eu, lindos nós, sei
O bem que faz um beijo
Ele se aproxima em desejo...
Filtro no caldo quente das expectativas
A nebulosidade excitante das tratativas
Que vão dar num cais negro e puro
Ali datado, sem passado nem futuro
Apenas vivo a dois esse presente
Repleto de toda a paz aparente
Um sol discreto, luz ininfluente
Formada por nós de repente.
Eu sei, mas é ele que aposta
Cartas na mesa, outra rodada
Aguardando a próxima cartada
Embriagado ele, mas tudo okay
Sim, ele e eu, lindos nós, sei
O bem que faz um beijo
Ele se aproxima em desejo...
Filtro no caldo quente das expectativas
A nebulosidade excitante das tratativas
Que vão dar num cais negro e puro
Ali datado, sem passado nem futuro
Apenas vivo a dois esse presente
Repleto de toda a paz aparente
Um sol discreto, luz ininfluente
Formada por nós de repente.
Dúvida Cruel
Olha, sempre sonhei com esse momento
De externar meu nobre sentimento
Que guardo em mim por ti sempre sentido
Eterno e mudo, isto é, escondido
Embora esteja, sei, mal-resolvido
Não quer dizer que eu a tenha esquecido
Esse mesmo é o motivo, no momento
Que falo a ti, perdoa se atormento,
Quero saber, enfim, sem chorumelas
Se ainda há rixas entre as suas canelas
Ou se já superaste aquelas fases...
Serei mais claro, estou enamorado!
E essa questão me põe muito encucado:
Os seus joelhos já fizeram as pazes?
De externar meu nobre sentimento
Que guardo em mim por ti sempre sentido
Eterno e mudo, isto é, escondido
Embora esteja, sei, mal-resolvido
Não quer dizer que eu a tenha esquecido
Esse mesmo é o motivo, no momento
Que falo a ti, perdoa se atormento,
Quero saber, enfim, sem chorumelas
Se ainda há rixas entre as suas canelas
Ou se já superaste aquelas fases...
Serei mais claro, estou enamorado!
E essa questão me põe muito encucado:
Os seus joelhos já fizeram as pazes?
Cana com Torresmo
Faria o que qualquer um faria
No esteio estéril da boa boêmia
Do prazer fugaz da brincadeira
À tragédia pura e verdadeira
Mas mentia, débil pra si mesmo
Na cana insensata com torresmo
Recalcitrava, tenaz incompetente
Em ver nascer do sol onde há poente
Verdadeiro, inglório e decadente
Ainda ardente embora um tanto aflito
Mas indecente, cego e malquisto
Exala sobretudo incoerência
Ao deleitar-se em sua penitência
De achar amor no que havia visto.
No esteio estéril da boa boêmia
Do prazer fugaz da brincadeira
À tragédia pura e verdadeira
Mas mentia, débil pra si mesmo
Na cana insensata com torresmo
Recalcitrava, tenaz incompetente
Em ver nascer do sol onde há poente
Verdadeiro, inglório e decadente
Ainda ardente embora um tanto aflito
Mas indecente, cego e malquisto
Exala sobretudo incoerência
Ao deleitar-se em sua penitência
De achar amor no que havia visto.
Devir
Troca a noite pelo dia
E não desconfia
De onde vem sua poesia
Troca a vida pela morte
Sem norte,
Ousa contar com a sorte
Troca o certo pelo duvidoso
Orgulhoso
Do próprio gozo.
E não desconfia
De onde vem sua poesia
Troca a vida pela morte
Sem norte,
Ousa contar com a sorte
Troca o certo pelo duvidoso
Orgulhoso
Do próprio gozo.
A Criação do Homo Sapiens
No pulo em pulo, leve, de um grilo?
Ou rastejando, lento, crocodilo?
Desafiando leis, grosso besouro?
Ou ruminando intrépido, um touro?
De peito aberto, incerto, gaivota?
Na languidez rotunda da marmota?
O exemplo secular da boa abelha?
A solidão sem par da negra ovelha?
Quiçá no aborto saboroso do esturjão
Ou no mainstream óbvio do salmão
Esteja a paz que falta ao homem-macaco...
Cetro e coroa só pro rei leão
Limão, azeite e grito: morte ao camarão!
Não somos mais farinha do mesmo saco.
Ou rastejando, lento, crocodilo?
Desafiando leis, grosso besouro?
Ou ruminando intrépido, um touro?
De peito aberto, incerto, gaivota?
Na languidez rotunda da marmota?
O exemplo secular da boa abelha?
A solidão sem par da negra ovelha?
Quiçá no aborto saboroso do esturjão
Ou no mainstream óbvio do salmão
Esteja a paz que falta ao homem-macaco...
Cetro e coroa só pro rei leão
Limão, azeite e grito: morte ao camarão!
Não somos mais farinha do mesmo saco.
Desagravo
Nem mesmo toda luxúria
Compra minha paz
Toda essa oferta, essa fúria
Que não satisfaz
Não o prazer da descoberta
Nem a segurança do replay
Cicatrizam a ferida aberta
Ou justificam os maus passos que dei
Só a variedade da esperança
À qual confio teso meu destino,
Que ainda se espanta, ainda se admira
Da inocência frágil du´a criança
Ou com a indecência, ágil desatino...
O amor respira, sei, o amor respira.
Compra minha paz
Toda essa oferta, essa fúria
Que não satisfaz
Não o prazer da descoberta
Nem a segurança do replay
Cicatrizam a ferida aberta
Ou justificam os maus passos que dei
Só a variedade da esperança
À qual confio teso meu destino,
Que ainda se espanta, ainda se admira
Da inocência frágil du´a criança
Ou com a indecência, ágil desatino...
O amor respira, sei, o amor respira.
Carta Aberta Aos Que Amam
Sente-se e fique à vontade
Peço-te apenas que mantenha a calma
É, dentro em breve direi a verdade
Mas se a verdade esmagar-te a alma
Não atribua isso embalde a seus medos
Tampouco impute às noveis liberdades
A revelação o último dos segredos
Que é outra praga a invadir as cidades...
Chegou a hora de quedar a máscara
Ainda que assole aos amantes diáspora:
Talhada inerme a pétreo camafeu
Eu vi! A verdade, o último selo
Trombeta do fim a soar sem desvelo
Que o amor morreu, o amor morreu.
Peço-te apenas que mantenha a calma
É, dentro em breve direi a verdade
Mas se a verdade esmagar-te a alma
Não atribua isso embalde a seus medos
Tampouco impute às noveis liberdades
A revelação o último dos segredos
Que é outra praga a invadir as cidades...
Chegou a hora de quedar a máscara
Ainda que assole aos amantes diáspora:
Talhada inerme a pétreo camafeu
Eu vi! A verdade, o último selo
Trombeta do fim a soar sem desvelo
Que o amor morreu, o amor morreu.
Poesia Cuspida
Tenho consolo, sim, na poesia
Despejo em verso hipocrisia,
Locura, raiva, ânimo e apatia,
Sofreguidão, fervor, febre e folia...
É o carnaval vazio do poeta!
Retumbam em rimas tortas, linha reta
Os exageros típicos do esteta...
Pra dispersar a dor gasosa que me afeta
Dano a escrever, escrevo, escrevo, escrevo
Escrevo ainda sem saber se devo
Meu verso inútil e desinteressante
A cada letra posta nesta plaga
A alma expectora e já não traga
Dessa fumaça espessa e sufocante.
Despejo em verso hipocrisia,
Locura, raiva, ânimo e apatia,
Sofreguidão, fervor, febre e folia...
É o carnaval vazio do poeta!
Retumbam em rimas tortas, linha reta
Os exageros típicos do esteta...
Pra dispersar a dor gasosa que me afeta
Dano a escrever, escrevo, escrevo, escrevo
Escrevo ainda sem saber se devo
Meu verso inútil e desinteressante
A cada letra posta nesta plaga
A alma expectora e já não traga
Dessa fumaça espessa e sufocante.
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