domingo, 12 de dezembro de 2010

Urbano

Meteu mais duas pedras de gelo no copo vazio, derrubou o resto que ainda havia na garrafa, espremeu um limão e misturou com o dedo. Entre uma bicada e outra sentiu saudades do tempo em que reclamavam de dores de cabeça, de dente e desvios de septo e de conduta.  Biópsias, tumores, infartos e velórios agora eram assuntos comuns.
Olhou pra baixo, acendeu um cigarro e tossiu. Doeram os pulmões e escarrou grosso. Bebeu ainda um último gole. Deixou a mesa e foi urinar. Ao voltar, pôs uma nota na mesa e não se sentou. Sorriu amarelo quando todos chamaram-no fraco. Já não estavam brincando, mas não eram cruéis como as crianças. Eram fatais em cumplicidade como só os velhos sabem ser. Acenou com as costas da mão esquerda enquanto ajustava os dedos no chinelo.
Ao se deitar, pousou os óculos no criado e desejou um infarto. Rápido e infalível... Socou-lhe o sol no dia seguinte e, acendendo seu café da manhã, agradeceu a qualquer Deus por mais um dia.

2 comentários:

  1. Texto de merda .... último gole é o kct !!! A Grande Tristeza não vai te acompanhar .. esqueça !!

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