domingo, 14 de novembro de 2010

A Cafetina

Enquanto a todos os meus
Apelos você recua
Segue a entregar-te aos teus
Pobre mulher promíscua

O melhor de mim que já rui
Se esvai a cada vez que confio
O sangue que em meu corpo flui
Secando-me o olho arredio

O passado já não é tormento
Meus projetos rejeitados
Preferiste a cem por cento
Meia dúzia de gatos pingados

Lamento seu gozo de agora
Sentimentos a mim enfermos
Homens mandando-te embora
Depois do coito em locais ermos

Mas é o que nasceu contigo
Outrora já não resistias
Àquele tesão antigo
Trocando as noites pelos dias

É justamente essa boa lembrança
Que guardo do amanhecer
No seu quarto de criança
Após noites de prazer...

Hoje os dias mais chuvosos
Antes tão lacrimejantes
Já não são tão tormentosos
Como costumavam ser antes

É que dediquei meu tempo
E me dediquei daqui
Um tempo que passou lento
Sonolento que nem vivi

Se agora, traquina, rio
Desse meu tenso passado
O arrepio da dor, do frio
Ser seu nobre namorado

Meus joelhos junto ao milho
Eu prefiro ao que fiz
Não recalcitro e num trocadilho
Defino-te: mera atriz!

A quem é que enganas?
Se entregaste à tua labuta
Vive as paixões ciganas
No nomadismo da prostituta

Nos lupanares do interior
É o seu dos mais bacanas
Promoção: grátis licor
Pra quem levar duas mundanas!

À vontade nos sombrios quartos
Realiza-se às escondidas
Protagonizando enfartos
Vivendo mulher da vida...

Contra a própria sorte relutas
Ora é domada, ora domina
Ambicionando mandar nas putas
Sagrar-se, enfim, a cafetina!

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