segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Soneto da Moda

Se a cada desastre tornássemos mortos
Festivo velório protagonizaria
Cercado de amigos, encharcados, tortos
Sorrindo ao caixão, em negra boemia

Mas novos desastres esperam à frente
Morrer é tão nobre e cheio de apatia
Que vive-se ainda neste verão quente
Prenhe de paixão, solidão e agonia

No olho dos outros, censura e prudência
Pueris, secos, sós, de escrota incoerência
Que basta, acomoda e faz desastroso

Aquilo que é sal, que é calor e pulsão...
Do salto do abismo ao duro do chão
Até o cemitério tem que ser charmoso.

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