Soro da vida é rua
Do medo é sorte
Da morte é nua
No norte ecoa
Outra ilusão
Muro de cobre é peito
Leito desfeito
Pungente e triste
De dedo em riste
Digo-te mais
Chora que a aurora tarda
No meio amargo
Do teu torpor
Come, sua água é suja
Seu pão, dormido
Que é só bolor
Monta ou então desmonta
Que o dedo aponta
Sem mais dizer
Dorme que já é tarde
Não faz alarde
Do teu querer
Sofre bem desde cedo
Não tenha medo
Do anoitecer
Vai-te, mas deixa paz
Que eu não aguento
Ouvir dizer
Isso e aquilo outro
Que verso escroto
Veio escrever
Some, com rima e tudo
Discreto e mudo
Qual derreter
Todo esse mundo-muro
Buraco escuro
Em que foi meter
Teu bedelho enxerido
Intrometido
A entorpecer...
Chega! (o verso cega)
De cagar regra
Obedecer
Cesso-te num só gesto
Num casto incesto
Num iê iê iê
Indo-me, indo-me torto
Já quase morto
Não fiz crescer
Nada, coisa nenhuma
Em parte alguma
Iê iê iê iê...
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