domingo, 14 de novembro de 2010

Versos Surreais ou Debate com o Lirismo

Soro da vida é rua
Do medo é sorte
Da morte é nua
No norte ecoa
Outra ilusão

Muro de cobre é peito
Leito desfeito
Pungente e triste
De dedo em riste
Digo-te mais

Chora que a aurora tarda
No meio amargo
Do teu torpor

Come, sua água é suja
Seu pão, dormido
Que é só bolor

Monta ou então desmonta
Que o dedo aponta
Sem mais dizer

Dorme que já é tarde
Não faz alarde
Do teu querer

Sofre bem desde cedo
Não tenha medo
Do anoitecer

Vai-te, mas deixa paz
Que eu não aguento
Ouvir dizer

Isso e aquilo outro
Que verso escroto
Veio escrever

Some, com rima e tudo
Discreto e mudo
Qual derreter

Todo esse mundo-muro
Buraco escuro
Em que foi meter

Teu bedelho enxerido
Intrometido
A entorpecer...

Chega! (o verso cega)
De cagar regra
Obedecer

Cesso-te num só gesto
Num casto incesto
Num iê iê iê

Indo-me, indo-me torto
Já quase morto
Não fiz crescer

Nada, coisa nenhuma
Em parte alguma
Iê iê iê iê...

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